O Diretor Executivo do SNS, Álvaro Almeida, participou na sessão de abertura do Cascais International Health Forum, realizada a 24 de setembro, num debate focado no desafio demográfico da longevidade em Portugal.
Perante a necessidade de transformar o aumento da esperança de vida em anos vividos com autonomia e qualidade, o responsável centrou a sua intervenção na distância entre viver mais tempo e viver com saúde. Embora tenha enaltecido os progressos históricos alcançados por Portugal através da vacinação, dos cuidados de saúde primários e do próprio Serviço Nacional de Saúde, o Diretor Executivo advertiu que estes avanços não eliminam as limitações diárias que surgem com o envelhecimento, sustentando que o grande objetivo atual passa por acrescentar qualidade aos anos conquistados. “Falta ganhar saúde nesses anos de vida”, afirmou.
A prevenção e os determinantes sociais da saúde mereceram particular destaque na sua intervenção. Álvaro Almeida reforçou a relevância da vacinação ao longo da vida e da deteção precoce da doença, mas sublinhou que o bem-estar dos cidadãos se constrói, em grande parte, fora dos hospitais e centros de saúde. Fatores como a educação, o rendimento, o apoio aos cuidadores, o ambiente urbano e as relações sociais são decisivos para um envelhecimento ativo. Dando o exemplo prático de como uma praça ou uma biblioteca podem combater o isolamento dos mais velhos, o Diretor Executivo defendeu que a longevidade exige uma resposta transversal de várias políticas públicas, rejeitando que o desafio seja imputado em exclusivo ao Ministério da Saúde.
No que respeita ao impacto direto no ecossistema de saúde, esta transição demográfica traduz-se em necessidades crescentes que exigem uma adaptação gradual e planeada do SNS. O Diretor Executivo do SNS apontou o caminho das reformas sucessivas, estruturadas na continuidade dos cuidados e no uso criterioso da inovação tecnológica. A terminar, deixou um aviso claro sobre a transição digital: ferramentas como a inteligência artificial e a teleassistência têm de ser rigorosamente desenhadas a pensar nos utilizadores finais e nas suas reais capacidades, sob pena de criarem novas formas de exclusão e desigualdade social.
