O Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, participou, esta quinta-feira, no painel “Ciência que Comunica: o futuro da saúde pública entre dados, confiança e cidadania”, integrado no III Encontro de Saúde Pública do INSA Porto.
Durante a conversa, Álvaro Almeida destacou a existência de dois tempos distintos na comunicação em saúde: o tempo da ciência e o tempo do imediatismo.
Para o Diretor Executivo do SNS, “a ciência tem a dificuldade de ter um tempo que não é o tempo das redes sociais, do tweet imediato, do assunto que dura duas horas e que, ao fim de duas horas, morreu. A ciência não é isso. Não pode ser isso”, afirmou.
Neste contexto, sublinhou também que disponibilizar informação, por si só, não é suficiente. O desafio passa por converter essa informação em conhecimento que possa ser compreendido e utilizado pelos cidadãos. Mais do que terem acesso a dados, as pessoas precisam de perceber o que significam e de conhecer os resultados que deles decorrem.
É neste equilíbrio entre informação, conhecimento e capacidade de resposta que se coloca, segundo Álvaro Almeida, um dos principais desafios da comunicação em saúde. O Diretor Executivo alertou para o risco de “a ciência estar a reboque do imediatismo, do momento”, defendendo a necessidade de conciliar o rigor científico com uma comunicação capaz de chegar aos cidadãos em tempo útil.
O painel, moderado pelo presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Fernando de Almeida, contou ainda com a participação de Gabriela Queiroz, vereadora da Câmara Municipal do Porto, e de Felisbela Lopes, da Universidade do Minho.